Novas impressões…

Os dias seguem e alguns cenários deixam de pertencer ao cotidiano… reclamar seria empáfia de minha parte: apenas agradeço.

A bem da verdade, concluo: são ideias e contextos que nunca foram meus, em essência.

Troquei o chá de hibiscos — que eu nem apreciava tanto assim — pelo pingado com leite, genuíno… brasileiro.

Percorrer calçadas, agora, apenas com fones de ouvido… e a passos rápidos, da maneira como sempre gostei de caminhar.

Abdiquei de ser o outro para me tornar eu mesma — é uma frase conhecida, eu sei… Mas, neste momento, é tão minha que não recordo a autoria.

Resgato, aos poucos, a identidade que nunca queria ter perdido. Até mesmo o café no copo de papel — enfeitado de sereias — deixou de me encantar: tenho minhas canecas prediletas, uso e abuso desse deleite…

Torno-me, em todo pequeno instante, próxima das minhas próprias impressões… e espero nunca mais querer me perder de mim.

Precisamos conversar…

Precisamos conversar.

Preciso te contar aquilo que não digo a ninguém. Expurgar meus medos. Dividir anseios que só o seu coração compreende.

É que, com você… é diferente dos outros. Das outras. Não há unicidade igual.

Redundante, eu sei. Mas você… você entende. Escuta.

Aconchega. Afaga. Sente junto.

Onde te encontro agora, além dos sonhos? Dos pensamentos… deste vazio tão grande? De que modo posso te tocar e abraçar, assim como a memória deseja?

Quero te ver. Encontrar todos os pedacinhos de você que existem em mim… e tentar montar este quebra-cabeças, para dar um rumo diferente à nossa história.

Mesmo que seja apenas aqui dentro, ela precisa seguir. Não só necessita, como deve, pois não sei continuar o caminho sem a sua presença.

Muitos dizem que você ainda está… que você é e sempre será o meu porto seguro. Eu não duvido, mas quando meus olhos não te alcançam, sinto dor.

Precisamos falar sobre tudo o que não foi dito. Venha até mim. Estarei te esperando, sempre.

Porque, para mim… você nunca foi embora.