Doce lembrança

Eu me lembro do primeiro livro que ela me emprestou. Os catadores de conchas, de Rosamunde Pilcher. O nome da autora jamais passaria despercebido para mim depois desse gesto. E o livro, em si… li três vezes.

Foi como adentrar o mundo adulto estando na adolescência. Eu não entendi tudo, mas o coração compreendeu boa parte do enredo. Após aquela leitura compartilhada, parece que nossos corações se uniram com força ainda maior.

Um pedaço do universo dela se tornava meu a partir daquele instante. E eu nunca mais me desconectei.

Memória…

Faz alguns anos você me convidou para sentar ao seu lado naquele balanço… e me entreguei ao convite. Foi um agradável diálogo… ida e volta.

Tempos mais tarde, foi minha vez de chamar sua voz ao movimento.

Meu sorriso largo-destemido te esperava à troca. Olhares adentraram vidas. E o brincar tornou qualquer realidade menos densa.

Passaram-se horas… semanas… um punhado de meses. Certo dia, você não estava mais. E lá fui eu reorganizar espaços…

Consciente de que não existiria mais ida ou volta, observei o meu tudo resumido em um único poema: memória…

Das origens…

Muitos me perguntam como fiz para chegar até aqui, diante das dificuldades que já surgiram no meu caminho.

Parte (imensa) da resposta é esta: minha mãe.

Cresci ao lado de uma mulher guerreira, vitoriosa em cada atitude… uma mãe que me educa com base em valores sólidos e nunca se nega a lutar para que eu tenha o melhor do melhor, sobretudo espiritual e psicologicamente.

É ela que me ensina a importância do sentir. Do que vem de dentro para fora. E, se hoje eu tenho estrutura para ir atrás dos meus sonhos, devo a perseverança a esse ser humano único.

E não para por aí… a garra e força de vontade só aumentam quando se trata da minha mãe. Com ela, não tem tempo ruim. E é por isso que eu a amo tanto! ❤️

Em um dia especial, saudade…

Seu aniversário é no dia 21… e hoje — no calendário hebraico — completaram 9 meses desde a sua partida.

Não aguentei esperar até sexta-feira para escrever esta pequena homenagem…

Sua memória (Z’L) é eterna e as lembranças que temos de você são as mais lindas.

Não houve uma única vez em que estivemos juntas que eu tenha saído sem aprender algo… sem refletir… como você me fazia pensar!

Na verdade, faz até hoje… continua exercendo essa influência enorme na minha vida e na de todos que tiveram a alegria da sua presença.

Sinto você comigo, aonde quer que eu vá… imagino suas sábias palavras, seus conselhos, “o que você diria se”…

Fica o “se…”, porque somos humanos e não compreendemos tudo nesta jdimensão. Mas, uma certeza não me falta: o tamanho do meu amor e carinho por você.

É dezembro… e o céu está em festa!

Precisamos conversar…

Precisamos conversar.

Preciso te contar aquilo que não digo a ninguém. Expurgar meus medos. Dividir anseios que só o seu coração compreende.

É que, com você… é diferente dos outros. Das outras. Não há unicidade igual.

Redundante, eu sei. Mas você… você entende. Escuta.

Aconchega. Afaga. Sente junto.

Onde te encontro agora, além dos sonhos? Dos pensamentos… deste vazio tão grande? De que modo posso te tocar e abraçar, assim como a memória deseja?

Quero te ver. Encontrar todos os pedacinhos de você que existem em mim… e tentar montar este quebra-cabeças, para dar um rumo diferente à nossa história.

Mesmo que seja apenas aqui dentro, ela precisa seguir. Não só necessita, como deve, pois não sei continuar o caminho sem a sua presença.

Muitos dizem que você ainda está… que você é e sempre será o meu porto seguro. Eu não duvido, mas quando meus olhos não te alcançam, sinto dor.

Precisamos falar sobre tudo o que não foi dito. Venha até mim. Estarei te esperando, sempre.

Porque, para mim… você nunca foi embora.